Introdução
Quando resolvemos uma equação do 2° grau x^2+2x+5=0, por exemplo, utilizando a fórmula de Bháskara, encontramos:
x=\frac{-2 \pm \sqrt{2^2-4\cdot 1\cdot 5}}{2\cdot 1}=\frac{-2\pm \sqrt{-16}}{2}
Para determinar o valor de x, é preciso calcular a raiz quadrada de -16. Em \mathbb{R}, porém, isso é impossível, pois não existe um número m tal que m^2=-16.
A necessidade de se obter uma solução para esse tipo de problema levou os matemáticos a procurar novos conjuntos em que "o quadrado de um certo elemento possa ser negativo".
Historicamente, uma equação era vista como a formulação matemática de um problema concreto; assim, se no processo de resolução aparecia um radicando negativo, os matemáticos concluíam, simplesmente, que o problema não tinha solução prática.
Muitos matemáticos procuraram dar uma solução para esse problema, principalmente os italianos Girolamo Cardano (1501-1576) e Raphael Bombelli (1526-1573), no século XVI, os quais deram importantes contribuições para o entendimento dessa questão.
O reconhecimento de números dessa natureza na matemática só ganhou impulso e legitimação com uma poderosa interpretação geométrica, proposta por Gauss (1777-1855).
Multiplicação
x=\frac{-2 \pm \sqrt{2^2-4\cdot 1\cdot 5}}{2\cdot 1}=\frac{-2\pm \sqrt{-16}}{2}
Para determinar o valor de x, é preciso calcular a raiz quadrada de -16. Em \mathbb{R}, porém, isso é impossível, pois não existe um número m tal que m^2=-16.
A necessidade de se obter uma solução para esse tipo de problema levou os matemáticos a procurar novos conjuntos em que "o quadrado de um certo elemento possa ser negativo".
Historicamente, uma equação era vista como a formulação matemática de um problema concreto; assim, se no processo de resolução aparecia um radicando negativo, os matemáticos concluíam, simplesmente, que o problema não tinha solução prática.
Muitos matemáticos procuraram dar uma solução para esse problema, principalmente os italianos Girolamo Cardano (1501-1576) e Raphael Bombelli (1526-1573), no século XVI, os quais deram importantes contribuições para o entendimento dessa questão.
O reconhecimento de números dessa natureza na matemática só ganhou impulso e legitimação com uma poderosa interpretação geométrica, proposta por Gauss (1777-1855).

Operações Com Pares Ordenados
Consideremos o conjunto de todos os pares ordenados (x,y) do plano cartesiano, em que x \in \mathbb{R} e y \in \mathbb{R}. valem as seguintes definições:
(a,b)=(c,d) \Leftrightarrow a=c/b=d
(a,b)+(c,d)=(a+c,b+d)
(a,b)\cdot (c,d)=(ac-bd,ad+bc)
Definição
Chama-se conjunto dos números complexos, e representa-se por \mathbb{C}, o conjunto de pares ordenados de números reais.
z \in \mathbb{C} \Leftrightarrow z=(x,y)
Observamos que, dado um número complexo z=(x,y), temos:
z=(x,y)=(x,0)+(0,y)=(x,0)+(y\cdot 0-0\cdot 1,y\cdot 1+0\cdot 0)
(x,0)+(y,0)\cdot(0,1)
Como (x,0)=x, (y,0)=y e (0,1)=i, podemos escrever:
z=x+yi
Dessa forma, todo número complexo x=(x,y) pode ser escrito na forma z=x+yi, chamada forma algébrica. O número real x é chamado parte real de z, e o número real y é chamado parte imaginária de z. Indica-se por:
x=Re(z)
y=Im(z)
Se Im(z)=0, z é um número real.
Se Re(z)=0, z é um imaginário puro.
Conjugado de um Número Complexo
Dado um número complexo z=(a,b), consideremos o par ordenado simétrico a z em relação ao eixo x. Tal par é chamado conjugado de z, e é indicado por \overline{z}.
Trabalhando com os pares na forma algébrica, dizemos que, se z=a+bi, seu conjugado é \overline{z}=a-bi.
Divisão de um Número Complexo
Sejam dois números complexos, z_1=a+bi e z_2=c+di, sendo z_2 \neq 0. Dividir z_1 por z_2 é obter um número complexo z_3=x+yi.
Para isso, basta multiplicarmos pelo conjugado do denominador:
\frac{z_1}{z_2}=\frac{z_1}{z_2}\frac{\overline{z_2}}{\overline{z_2}}=\frac{(a+bi)(c-di)}{(c+di)(c-di)}
\frac{ac-adi+bci-bdi^2}{c^2-(di)^2}=\frac{ac+bd}{c^2+d^2}+\frac{bc-ad}{c^2+d^2}i
Potências de i
Seja i a unidade imaginária. vamos calcular i^n, para alguns valores naturais de n. Temos:
i^0=1
i^1=i
i^2=-1
i^3=i^2\cdot i=(-1)i=-i
i^4=i^2\cdot i^2=(-1)\cdot(-1)=1
i^5=i^4\cdot i=1\cdot i=i
i^6=i^5\cdot i=i\cdot i=-1
I^7=I^6\cdot i=(-1)\cdot i=-i
Como vemos, os resultados de i^n, com o expoente n variando, repetem-se de quatro em quatro unidades. Notemos que:
i^{4n}=(i^4)^n=1^n=1
i^{4n+1}=i^{4n}\cdot i=1\cdot i=i
i^{4n+2}=i^{4n}\cdot i^2=1\cdot (-1)=-1
i^{4n+3}=i^{4n}\cdot i^3=1\cdot (-i)=-i
Dessa forma, para calcular i^n basta calcular i^r,sendo r o resto da divisão de n por 4.
Módulo
Seja z=a+bi a forma algébrica de um número complexo cujo afixo ou imagem geométrica é o ponto P(a,b). Vamos supor que P pertença ao 1° quadrante, conforme indica a imagem abaixo:
Unindo P à origem O, obtemos o segmento \overline{OP}.
O triângulo PQO é retângulo em Q. Aplicando o teorema de Pitágoras, vem:
(OP)^2=(OQ)^2+(PQ)^2 \therefore (OP)^2=a^2+b^2\therefore OP=\sqrt{a^2+b^2}
A medida de \overline{OP} é também chamada de módulo de um número complexo, e a indicaremos por |z| ou \rho.
Dessa maneira, o módulo de z é a distância entre a origem e a imagem geométrica de z.
Argumento
Retomamos a imagem anterior:
Consideremos \theta o ângulo formado pela semi-reta \overline{OP} e pelo semi-eixo real positivo, tomado a partir desse semi-eixo, no sentido anti-horário.
\theta é chamado argumento principal.
Forma Trigonométrica ou Polar
Seja z=a+bi a forma algébrica de um número complexo. Temos as seguintes relações:
\sin(\theta)=\frac{b}{|z|}\therefore b=|z|\cdot \sin(\theta)
\cos(\theta)=\frac{a}{|z|}\therefore a=|z| \cdot \cos(\theta)
Substituindo tais valores na forma algébrica, vem:
z=|z|(\cos(\theta)+i\cdot \sin(\theta))
Operações na Forma Trigonométrica
Multiplicação
Para multiplicarmos 2 números complexos, basta multiplicar seus módulos e somar seus argumentos, ou seja:
z_1\cdot z_2=|z_1|\cdot |z_2|[\cos(\theta_1+\theta_2)+i\cdot \sin(\theta_1+\theta_2)]
O mesmo raciocínio pode ser aplicado para n números complexos.
Divisão
Para dividirmos 2 números complexos, basta dividir seus módulos e subtrair seus argumentos, ou seja:
\frac{ |z_1| } { |z_2| } \cdot [ \cos (\theta_1 - \theta_2 )+ i \cdot \sin(\theta_1 - \theta_2)]
\frac{ |z_1| } { |z_2| } \cdot [ \cos (\theta_1 - \theta_2 )+ i \cdot \sin(\theta_1 - \theta_2)]
Potenciação em \mathbb{C}
O cálculo da potência z^n, fica muito trabalhoso quando escrevemos z na forma algébrica, pois temos que desenvolver (a+bi)^n usando o binômio de Newton.
É possível demonstrar que uma potência de z pode ser calculada pela Fórmula de Moivre:
z^n=|z|^n[\cos(n\theta)+i\cdot \sin(n\theta)]
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